Durante meus dias na selva
Precisava, urgentemente,
De um abrigo.
Não precisava ser um luxo,
Mas tinha que me ser agradável.
Não necessitava ser uma fortaleza,
Mas teria que me proteger da chuva.
Não tinha que ter água quente,
Mas queria uma sombra.
Tudo isso encontrei numa gruta.
Que admirável!
Entre vários coqueiros,
Na frente de um lago cheio de peixes
E suportado pela fertilidade da terra,
Esse era o lugar perfeito.
Que mais queria?
A caverna me atrai.
Lembra-me da física gravitacional
Que acontece entre o carro e a garagem;
A demanda e a oferta;
O rato e o bueiro;
O presente e o monarca;
O coração ferido e a enfermeira.
Mas era nesse mesmo ambiente,
Que meu sangue nutria os morcegos,
Meu corpo era o brinquedo dos ursos
E a escuridão, que nem a chama apagava,
Era um tormento ao meu estado mental.
Quanta ilusão!
Mas não pude fazer quase nada.
A ilusão é magnética,
E na região de contato
Há irregularidades contundentes.
A salvação chegou à mata,
E de lembrança me restou apenas
Três feridas e três traumas.
Não faz sentido deixar o pseudo-abrigo
No seu estado mais conservado,
Pois ela traz muito sofrimento.
Mandei trancar-lhe com pesadas rochas,
Gravadas com minhas péssimas memórias.
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